Dona Nina: "A mãe" da Favela da Cachoeira



Para os ex-moradores da extinta Favela da Cachoeira, em especial a molecada adolescentes que são remanescentes da mesma, hoje morando no Bairro da Glória, na Zona Leste de Campina Grande-PB, esta senhora da foto é a mais famosa Macária dos Santos, conhecida por todos os ex-moradores antigos daquela comunidade carente por Dona Nina, ou como era chamada carinhosamente de; a nossa eterna Mãe Nina, a mãe da favela da Cachoeira. 

Ela chegou a realizar o sonho de sair da favela, mas há alguns anos atrás, já morando em sua nova casa no Bairro da Glória I, a mesma foi a óbito por complicações de saúde. 

Mãe Nina foi uma das fundadoras da maior favela da Paraíba supracitada, que teve início por volta de 1958 a 1960, no governo do então prefeito populista, Severino Cabral. No mês de outubro do ano 2006 o governo da Paraíba, na gestão do então governador Cassio Cunha Lima deu fim aquela favela com a construção dos Conjuntos Popular Habitacional, que receberam nome de Bairro da Glória I e II, mas não é de fato um bairro, faz parte do Bairro Nova Brasília. 

Antes do fim daquela comunidade, a assessoria de imprensa do governo Cássio, entrevistou dona Macária dos Santos, na época ela contava com os seus 89 anos, onde fazia 45 anos como uma das moradoras mais antiga da Cachoeira. Ela fez um relato da vivência daquele povo sofredor e dos seus anseios em poder ir morar no novo local digno de se viver. Mãe Nina disse: "Aqui nada é fácil pra ninguém. Já caiu muita casa. Alguns perderam tudo e outros perderam até a vida. Já vi muita gente chorando enquanto carregava os troços na cabeça, fugindo das chuvas e das enchentes. Estou doida pra ir logo para o bairro da Glória. Imagino que lá vai ser um paraíso. Peço a nosso senhor Jesus Cristo que acompanhe todos os moradores da Cachoeira, para que tudo fique bem por lá, na Glória. As coisas vão melhorar para todos nós, se Deus quiser".

Dona Nina morava na ladeira principal da Cachoeira, era na rua Militão Marques. Ela era muito religiosa e tomava conta da Capela de São Lázaro, única instituição religiosa católica que ficava no coração da nossa favela. Muitos a chamava de Catequistas, pois era ela e a saudosa “Dona Maria Catequistas” que catequisava os filhos dos favelados que seguiam o catolicismo romano. Porém tiramos muitos evangélicos e “macubeiros” naquele lugar. Bem ao lado da igreja tinha um terreiro de macumba, outro perto da ponte da Cachoeira e o mais na divisa com o cemitério de José Pinheiro, onde a galera frequentavam pra tomar umas cachacinhas com o incorporado, Seu Zé Pelintra, eu mesmo fiz isso quando tinha meus 15 anos. 

Favela entrou em estado de extinção, mas a memória daquele povo não pode ser extinta dos anais da nossa História. 

Por Martins da Cachoeira

O Gari Poeta Filosófico

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