Martins, o jogador perna de pau


Nunca joguei em time de futebol de pelada e outros de cunho profissional. Desde meus 15 anos, meu esporte preferido era artes marciais, em especial Kung-fu. 

Quando criança subia as ladeiras da extinta Favela da Cachoeira para com a molecada poder 'bater uma bola' no campinho, que ficava fora da favela onde nasci, em terrenos baldios. 

Às vezes, descia na parte final da comunidade, para a "Barragem da Cachoeira", onde tinha um "racha". Mas quase sempre a galera não me deixava jogar, porque em vez de "ir na bola", metia a perna de pau na canela dos malucos da favela. 

Não fazia isso por maldade, mas por despreparo no jogo. Porém, por causa disso, ninguém queria fazer equipe comigo. Me deixavam sentado olhando os outros jogarem, e quando alguns me chamava pra jogar, era porrada pra todo lado, porque eu "dava toco" sem querer, por falta de agilidade, ou o famoso gingado dentro do campo.
 
Não aprendi a jogar futebol, pois não tinha tempo, porque todos os dias o meu "real jogo" era pedir esmola pra levar comida pra casa, carregar baldes de água pra abastecer formas e potes, porque não tinha água encanada, e buscar lenha nas serrarias pra acender o fogão.

No fim da minha adolescência, não sabia jogar direito e usava a defesa de arte marciais para tomar a bola dos rivais no campo. Em vez de ir em cima da bola, ia direto na canela com golpes de Kung-fu, capoeira, judô e karatê. Até rasteira rolava, e sempre acabava com alguém machucado. Por esse motivo, os caras me chamavam de “perna de pau”, “coice de burro”, “canela de jumento” e me mandava lutar karatê nas profundeza do inferno. 

Hoje estou com os meus 51anos de idade, confesso que ainda não sei jogar futebol, pois no passado, todas às vezes que tentava aprender, em menos de 10 minutos era expulso e ninguém queria jogar comigo, porque era um osso duro de roer.

Certa feita me colocaram pra ser goleiro no campo do "Formiga", que ficava perto de onde hoje fica o Colégio Estadual Nenzinha Cunha Lima, no bairro José Pinheiro, mas também fui expulso porque fiz falta em "Negro Fábio", derrubando ele e outros bem perto da trave. 

Pelo que vejo, nasci pra jogar versos, rimas e poemas, com licença poética na arte da poesia, porque até hoje o futebol não gera em mim alegria.



Por Martins da Cachoeira

O Gari Poeta Filosófico 

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