O galo lutador de Kung-fu que me deu uma surra
Quando criança, na extinta Favela da Cachoeira, lugar onde nasci e cresci, acho que eu tinha uns 11 anos, nessa época chegou um casal pra morar perto da casa dos meus pais. Era uma mulher vesga que criava porcos e galinhas. Seu marido era vigia na Feira Central de Campina Grande-PB. Um povo meio isolado dentro de casa, mal falava com os vizinhos. Por não saber os nomes deles, a mulher colocamos o apelido (isso era praxe) de "Véia Zanoia" e seu esposo de "O Véi do Cachimbão".
O homem nem tanto, mas a mulher parecia que tinha ódio de crianças, em especial de mim e do amigo Damião. Ela Quando nos via perto da sua casa, jogava pedras e até água quente fervida no seu fogão de lenha na gente. Eu evitava dizer a minha mãe (dona Floripa Martins), porque mãe era caceteira e todos da vizinhança sabiam e temia a mesma. Porém minha "coroa" só brigava por causa dos lixos que jogavam em nosso quintal e as fezes e urina que jogavam em cima do nosso casebre.
Mas mãe quase matou a "Véia Zanoia" por causa de um galo de granja, branco e grande que "lutava Kung-fu, e era mais bravo e valente que um cachorro pitbull. Toda vez que a praga do galo me via, corria atrás de mim, me arranhava com unhas e esporões, e me cortava com o bico. Eu corria sempre com medo dele, mas certa feita estava defecando perto do córrego (riacho da Cachoeira) o peste me viu de longe, correu, pulou em cima de mim e não deu tempo sequer limpar o "roscópio anal" com folhas de carrapateira, nem de vestir o calção. Ele deu um salto em meus peitos, fiquei dando chutes e tapas na praga, mas como estava na beira da barreira, o danado voou na minha cabeça e eu cair de ladeira abaixo, fui parar na beira da cachoeira (riacho). Levantei todo machucado, melado de lama podre e chorando, joguei pedras no galo Bruce Lee, e o infeliz correu pra me agredir. Peguei um pedaço de pau e malhei o cacete no galo valentão. A "Véia Zanoia" viu, pegou uma espingarda sovaqueira e me deu um tiro, que passou de raspão. Em vez de amarrar o seu galo brigão, que botava até cachorros pra correr debaixo da porrada, ela preferiu tentar me matar. Para o seu mal, minha mãe ouviu o barulho do tiro, me viu discutindo com a mulher. Ela pegou uma foice e foi tomar satisfação com a "Véia Zanoia". O marido dela veio bravo pra cima de mãe. Minha "Véia" ‘botou a foice pra cantar’ e o casal correram e se trancaram dentro da sua casa. Chamaram a polícia e o caso foi parar na delegacia, que ficava na Rua Joana D’arc de Arruda, bairro José Pinheiro, Campina Grande, logo depois da travessia da rua Campos Sales. Ninguém ficou preso. O casal se comprometeu perante a autoridade de segurança pública, que iria prender o seu galo psicopata, e nunca mais jogaria pedras e água quente nas crianças que passavam ou brincavam de bola de gude, em um terreno ao lado da casa da "Véia Zanoia" e do “Véi do Cachimbão" com seu galo valentão.
Graças a Deus que os mesmo cumpriram com o acordo feito na delegacia, prenderam galo psicopata em um galinheiro, só então pude viver, cagar e brincar em paz, sem ter medo do galo lutador de Kung-fu, que era muito brigão e me fez cair com os pés dentro do riacho da Favela da Cachoeira.
Por Martins da Cachoeira
O Gari Poeta Filosófico

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