A necrofilia e o paraíso sem céu


Nas curvas do seu corpo 
Eu vi a escada do céu,
Na saliva da sua boca 
Senti o inferno de fel,
Quando o mel dos seus lábios
Secou-se como um painel 
De um tanque com  álcool 
Derramado e exposto
Ao sol distante da lua,
No paraíso sem céu.

Hoje não subo mais 
Na montanha do seu corpo,
E você não mais derrama 
Na minha boca o seu mel,
Porque morreu para mim,
E a necrofilia não faz
Em meu ser o seu papel 
De compartilhamento de pus
Da decomposição do seu amor
Que em meu coração amargou 
Muito pior que fel. 

Pode ficar no seu túmulo,
Pois sei que viva estar!
Porque o meu coração,
Não é um sepulcro 
Para nele você querer
De novo se enterrar.
E fazer do meu favo de mel
Um cemitério na mesa de bar,
Onde serei o coveiro,
Sem picareta e sem pá.
Porque uma vela para ti;
Eu nunca vou te dar. 

Por Martins da Cachoeira

O Gari Poeta Filosófico




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