O luxo na desditosa família da favela
Não importa o banquete,
Não importa os ingredientes,
Na mesa da pobreza
Também tem coisa descente.
Porque o mais importante
Não são os produtos
Mas a satisfação real,
Com alegria e paz
Reinando em nossa mente.
Quando o luxo não tem lixo
De orgulho exacerbado
Dos humanoides humanos,
Que gera na mente o engano
Da vaidade e grandeza
De quem é temporário
No erário subalterno
Pensando ser um eterno,
Passando por cima de tudo,
Com avarezas eternas,
Predestinados ao cemitério:
A humildade do ser
É o que fará o ser
Um verdadeiro orgulho na terra!
E esse sim é o luxo,
Não o lixo esdrúxulo
Dos senhores lixo-humano,
Os famosos homens-fera.
Os predadores da guerra
Da competição natural,
Que precisam saber;
Que o luxo não é nada,
Quando a felicidade,
O amor familiar,
O humanismo humanizado,
Sem Exploradores e explorados
É o que realmente importa
Em nosso planeta terra.
Mas vejo como utopia
Essa visão de sonhador,
Pois os predadores homens-fera
Nunca vão perder a patente
Em ter um deus na sua mente,
Que lhe faz ser um Leviatã,
Ou um gigante Titã
Se alimentando e gozando
Do sangue dos mortais,
Que trabalha e produz
Para sustentar os homens-fera,
Que faz da igualdade
Uma péssima ficção
De filme de fundo o de quintal
E uma amadora novela.
Porque no fim de tudo:
O lixo pode virar luxo,
E o que parece luxo
Com toda certeza vira lixo
Se a desigualdade social
Na pobreza só produz miséria.
Quando eu era criança
E morava na favela
Nunca tive em minha casa
Uma festa de aniversário,
Papai Noel era meu inimigo,
E festa de fim de ano
Era um monstro Quimera.
Às vezes na hora do almoço
Doía ver o fogão de lenha
Com cinzas todo apagado,
Os pratos de porcelana
Sujos e estragados,
E eu ficava chorando
Quando olhava para as panelas
E não via uma gota d’água
Para me fazer pensar
Que tinha comida dentro delas!
Mas as esmolas que ganhava,
Mudava toda essa esfera
Que reinava em minha casa,
No centro da desditosa;
Da minha família linda
Cria de uma humilde favela...
Por Martins da Cachoeira
O Gari Poeta Filosófico

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