O “Mão Branca” na História de Campina Grande - PB

O Mão Branca na extinta Favela da Cachoeira

No primeiro semestre de 1980 Campina Grande-PB foi destaque na imprensa nacional e internacional. Isso porque surgiu nessa época um grupo de justiceiros, que exterminavam pessoas nesta cidade, matando com índice de crueldade quem cometiam pequenos delitos. 

Mas também faziam serviços de "pistoleiros de aluguel, executavam pessoas a serviço de políticos e empresários do agronegócio, que os pagavam pelo serviço do mau. Essa onda de matar bandido fez com que muitos meliantes e ex-criminosos fugirem da Paraíba. Mas a paz reinou em toda cidade, porque até quem tinha sido ressocializado passava pela Pena de Morte do Mão Branca. 

Tudo começou na década de 80, Campina Grande foi palco de vários crimes que ocorreram em sequência, praticados por um grupo de extermínio que se intitulava como “Mão Branca”.  Mais de anos depois, as ações violentas e as histórias do grupo foi contada na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), pelo escritor e jornalista Ronaldo Leite, que discorreu em sua palestra sobre a “Violência urbana: o crime organizado pelo grupo de extermínio Mão Branca”, que aconteceu no dia 24 de abril, de 2017, às 19h30, no Auditório II do Centro de Integração Acadêmica, Câmpus de Bodocongó.

O jornalista Ronaldo Leite, que na época cobriu o caso na condição de repórter policial, contou que a matança começou no dia 13 de julho de 1980. Neste dia, uma carta foi encaminhada a redação do extinto Diário da Borborema e à Central de Polícia, com o nome dos 115 supostos marginais que seriam vítimas do “Mão Branca”. “De início, ninguém levou em consideração, acreditando se tratar de mais uma brincadeira de pessoas que buscam o anonimato para pregar peças e causar medo à população”. O jornalista relatou, ainda, que a denominação “Mão Branca” foi copiada de um grupo de extermínio que atuava no Rio de Janeiro que, inclusive, foi responsável pelo assassinato do marginal conhecido por “Paraibinha”. O crime ganhou ampla repercussão na Imprensa, em função da "luva branca" deixada sobre o corpo e que deu origem à denominação chegada posteriormente a Campina Grande. A matança na Rainha da Borborema e cidades vizinhas também ganhou amplo destaque na mídia, até mesmo fora do país, com notícias veiculadas nos jornais Clarin, da Argentina; Washington Post e New York Time, dos Estados Unidos.

Mão Branca, ou vermelha de sangue?
No Diário da Borborema, edição do dia 13 de julho de 1980, saiu com exclusividade, o listão que o "Mão Branca" divulgou os 115 nomes daqueles que seriam suas vítimas, dentre elas, advogados, policiais, intrujões, estelionatários, assassinos, traficantes de drogas e assaltantes. Começava ali um epílogo de sangue que manchou a história de Campina Grande. A carta encaminhada ao DB e à Central de Polícia mais tarde teve a origem identificada: partiu das entranhas da própria polícia, mas tem que alegue que essa foi criada pela imprensa local para vender matérias jornalística e causar o medo nos bandidos. Como citei antes, de início, ninguém levou em consideração, acreditando que era fake news, ou mais uma brincadeira de pessoas que buscam o anonimato para pregar peças e causar medo à população. Mas o que foi anunciado aconteceu. E a cidade passou a viver sob o signo do medo, com os justiceiros entrando em ação dias após tornar público a intenção de "fazer uma limpeza", tomando como base o alto grau de criminalidade que a cidade enfrentava.

Um dia após a publicação da lista negra, o arrombador Paulo Roberto do Nascimento, conhecido por Beto Fuscão, foi encontrado com um tiro de espingarda "12" no peito ao lado do estádio Amigão, no bairro do Catolé. O então repórter do Diário da Borborema, Ronaldo Leite, recorda o telefonema que recebeu: "Tem um crioulo morto na torre do Amigão". No dia 15, a manchete do jornal relatava a primeira de uma série de mais de 30 mortes: "Mão Branca inicia matança: um tiro de 12 matou Beto Fuscão". Um dia depois, o carrasco deu sequência ao prometido: tombaram sem vida Marcos Antônio da Silva, vulgo "Mocotó", Paulo José dos Santos Félix", conhecido por "Queimadas". Com várias perfurações a tiros - os marginais foram mortos com requintes de crueldade - dois corpos foram encontrados no sítio Velame e um outro perto do hospital da FAP. Demonstrando muita ousadia, os matadores informaram onde deixavam os cadáveres em telefonemas à Central de Polícia e à Imprensa.

A partir daí, os sequestros seguidos de mortes continuaram, com as execuções de "Bermuda", "Negro Rei", "Pernambuco", "Barrão" e outros. Com medo da morte, muitos criminosos que estavam no listão desapareceram de Campina Grande não se sabe se fugiram ou foram executados sem exposição do corpo. 

O medo imperava na cidade, pois os matadores também cometeram alguns crimes de pistolagens. A população ficou dividida. Uns apoiavam em função da "limpeza" que o grupo promovia, mas a forma cruel e impiedosa aos poucos começou a ser reprovada.

O então bispo diocesano Dom Manoel Pereira, deu os primeiros gritos e pediu providências ao governador da época Tarcísio de Miranda Burity contra o massacre. Com ordens do Palácio da Redenção, foi criada uma comissão judicial, presidida pelo então promotor de Justiça Agnello Amorim, que em 2017 era  procurador aposentado e não sei se anda vive. Como se não se intimidasse com as investigações, o grupo iniciou uma série de ameaças contra as autoridades, com cartas e telefonemas anônimos. "Diga ao Dr. Agnelo Amorim, que também saia da jogada, porque se não sair vai ser fechado", diz trecho de uma carta enviada ao advogado William Arruda, então representante do governo do estado na cidade.

O jornalista Assis Costa, que também era repórter policial do DB na época, relembrando o caso, contou que os repórteres ficavam até meia noite esperando o telefone tocar para correr até o local onde o próximo corpo estaria jogado. "O que chamava a atenção da sociedade e revoltou a igreja era a forma cruel como o Mão Branca executava as suas vítimas", lembra Assis, acrescentando que quase todos os cadáveres tinham os órgãos arrancados, como braços, pernas e até a língua.

Com o passar do tempo, toda Campina Grande já sabia de onde partiam as execuções; no entanto, a população permanecia calada temendo represálias. Mas a comissão apurou e apontou os sanguinários integrantes do esquadrão da morte. Eram cinco investigadores de polícia que patrocinavam a matança: José Basílio Ferreira, o Zezé Basílio; Cícero Tomé da Silva, Antônio Gonçalves da Costa "Temporal", José Carlos de Queiroz, "Zé Cacau", e Francisco Alves da Silva, este último, o único vivo até 2017, não sei se já foi a óbito. Levados a júri, apenas Basílio foi condenado, pois era apontado como o mais carrasco de todos e um dos principais executores. Ficou preso por muitos anos no presídio regional do Serrotão e acabou morrendo do coração. Absolvidos, outros três integrantes do grupo desapareceram de Campina Grande e depois morreram. Chico Alves vive em João Pessoa, mas evita falar sobre o caso, mas, a exemplo dos outros, sempre negou participação nas mortes, se dizendo inocente.

O cenário

Conforme o jornalista Ronaldo Leite, que foi ameaçado em sua época pela organização, tudo começou com uma ‘brincadeira’ de um agente conhecido como Lidinaldo Motta, que ao ser transferido para Campina Grande, sugeriu uma lista de 115 nomes de supostos marginais que deveriam morrer. Alguém teria levado a brincadeira a sério e a tal lista chegou às mãos do supervisor da Polícia Civil, Cícero Tomé, o cabeça da organização. Isso por que a conjuntura da elevação do crime e violência em Campina Grande, década de 80, com 200 mil habitantes, 23 policiais civis e mais de 300 bandidos praticando todo tipo de crimes na cidade, deixando a população em estado de constante medo como se ver nos dias de hoje em nossa cidade, como em quase todo o estado. Na Central de Polícia, que ficava perto do 2º BPM, uma equipe de repórteres se reversavam cobrindo os acontecimentos últimos que tinham como protagonista um grupo de extermínio mais famoso do Brasil. 

Bandidos ou mocinhos? 

São muitas as respostas que povoam o imaginário de quem viveu aqueles anos e acompanhou de perto o desenrolar de toda a história, muitas pessoas até hoje, normalmente carrega fortes emoções próprias de quem não apenas viveu aquele tumultuado período da história policial de Campina Grande, mas conviveu de perto com todos os implicados na grande questão da segurança pública no Compartimento da Borborema, como os jornalistas Ronaldo Leite  e Assis Costa . “O bandido bom é o bandido morto”, asseverava o lema na imprensa local, que hoje é usado pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e muitos dos seus fanáticos eleitores bolsonaristas. “Bandido não tem respeito pelo cidadão. Desconhece quaisquer sentimentos em relação à pessoa que se torna sua vítima. Seu coração é na boca do revolver!” Era o lema do Mão Branca, que faz jus ao discurso da atual ideologias da direita cristã conservadora. 

Para os que não sabem, o porquê da denominação “Mão Branca” reside no fato de serem cinco os exterminadores, talvez a cor branca em referencia a “mão” diga respeito ao “senso” de justiça, fundo motivacional que levou Cícero Tomé, que é representado no mundo animal como o “Tigre de Bengala” em alusão a uma das feras mais temidas do mundo, era assim o “Terror dos Bandidos”; Zezé Basílio, o “Urso Negro”, considerado o animal sanguíneo, um dos mais cruéis e violentos desse inconfundível tempo; Temporal, o “Leopardo”, desossador de vítimas. Cacau, o “Onça Pintada” caçador noturno; e o Chico Alves, o “Onça Pintada”, um caçador voraz e rápido.

A atuação do grupo se deu praticamente apenas em Campina Grande, apesar de ter assassinado “Bermuda”, que era um foragido da Serra da Borborema, que fugira para a capital com medo de morrer. Quem ousasse tripudiar da organização, não escapava da ira do Mão Branca, a exemplo de “Mocotó”, um marginal que ousou zombar do grupo de extermínio: morreu crivado de balas, num terreno abandonado.

O Esquadrão da Morte paraibano viraram os super heróis da Liga da Justiça injusta, não se limitou apenas a matar e ameaçar marginais. Políticos, advogados entre outros, também sofreram ameaças da organização. Foi o que aconteceu com o ex-prefeito de Campina Grande, William Arruda,
William na época era representante do Governo Estadual neste município, que era tio do famoso Ataliba Arruda, acusado de diversos homicídios, mas esse parece que era blindado ou protegido pelos deuses do Olimpo, pois o Mão Branca não resolveu executá-lo como fez com criminosos da baixada da sociedade que eram acusados ou suspeitos de praticar pequenos delitos. 

O método

Integrantes do grupo, trabalhando nos plantões da Central de Polícia procediam a soltura de presos marcados para morrer, geralmente nos domingos pela manhã. À noite, executores saiam para fazer diligências exatamente nos locais de convivência das vítimas, isto é, em bairros pobres e periféricos de Campina. 

O veículo utilizado era uma Brasília amarela ou uma Kombi. Após matar suas vítimas, o local para onde eram levadas as vítimas variava, mas o terreno mais utilizado era nas proximidades do Estádio Amigão, por ser predileto pela escuridão intensa e distância de residências. Havia quem dissesse que Campina podia dormir de portas abertas graça a essas ações de "desinfecção social". Posso confirmar pois vivi e lembro muito bem. 

Primeira vítima
Ele não era o primeiro da lista, mas "deu azar" de ser encontrado numa das diligências. Tratava-se de um ladrão, morador da Rua Conde de Monte Cristo, no Bairro do Jeremias. "Negão! Entra no carro!" Bradou um dos integrantes do grupo Mão Branca ao parar a Brasília em frente a Sab da Palmeira, numa noite de festa. Chegando ao Estádio Amigão para o desfecho disseram: "Nós não temos nada pessoal contra você, mas você deu azar e agora não podemos voltar atrás, vai morrer".

Vivi este tempo e lembro que muitos casos de pessoas que desapareceram e depois era encontrado os seus  corpos. Essa onda se proliferou por toda Campina e por outras cidade no compasso da Borborema. Não só no Amigão era depositado  cadáver, mas também no antigo 'Grésso, que era um tipo matagal, entre o Bairro Santo Antônio, Vila Castelo Branco com Alto Branco. 

Vou relatar fatos da minha memória sobre a atuação desse grupo, na extinta Favela da Cachoeira. Nesse tempo, eu tinha 8 anos de idade e estava jogando bola de gude perto da ponte que ficava na entrada da favela, lugar onde nasci e cresci. Era um fim de tarde, foi quando vi uma brasília de cor amarelo parar na ponte, descerem da mesmas uns homens estranhos com armas de fogo na mão que chamou a atenção dos moradores e ouvi muitos dizerem: "Eita, é os Mãos Branca!" Os homens  adentraram naquela comunidade a procura do alvo que seria morto por eles. 

Os exterminadores seguiram em direção ao fim do canal das piabas, que desagua na favela. Desceram na segunda ladeira após a queda d'água e subiram com um homem popular que era conhecido por 'Barrão'.

O senhor 'Barrão' morava ao lado da casa dos saudosos "macumbeiros" dona Bastinha e seu Zé Negão (Pai e mãe de santo), que eram muito conhecidos em quase toda Campina Grande-PB.

Conduziram Barrão até o veículo e subiram em direção a igreja católica Coração de Jesus, que fica na rua Gonçalves Dias em Nova Brasília. No outro dia populares encontraram o corpo do finado Barrão cravado de balas, no antigo Grésso. 

Depois, com o passar do tempo, vi novamente os mesmos homens em sua brasília amarela, desta vez abordar e mataram um meliante que acabava de sair da cadeia, o famoso finado Carrim. Foi bem perto da antiga Feira de Troca, na divisa do Bairro José Pinheiro, bairro Santo Antônio com Feira Central. Os conheci por causa da brasília e do homem moreno com chapéu de palha na cabeça, pois lembrei do dia quando sequestraram o finado Barrão na Favela da Cachoeira, e no outro dia encontraram seu corpo no antigo Grésso. 

Nunca entrei neste assunto, mas como vou falar do que vi e aconteceu de fato, quero dizer que conto com a testemunha viva, a minha mãe, dona Floripa Martins da Silva. Então, vamos aos fatos... A casa que até hoje fica do lado direito no inicio da Vigário Virgíneo com a Rua Ministro José Américo na divisa dos bairros José Pinheiro e Santo Antônio, foi neste local, que homens com uma brasília amarela, encostaram na parede e mataram um rapaz conhecido como 'Carrim' em 1980. Um individuo que cometia delitos na Feira Central e zona leste de Campina Grande, que há época disse ter saído da cadeia.

Lembro quando vinha da Serraria Ferreira, perto da antiga feira de Madeira onde hoje é o supermercado Rede Compras III, sempre pegava lenha para fazer nossa comida no fogão de lenha,  porque gás de cozinha era coisa de rico. Saímos com um feixe de lenha e um balde de tinta com tripa de galinha, que pegávamos na antiga Granja Santa Luzia, para matar nossa fome com um pouco de xerém de milho. Eu estava sentado com minha mãe no banco de cimento que antes tinha na calçada, as margens do canal, quando de repente passava o elemento Carrim com seu amigo, ele estava drogado ao ponto de  não nos conhecer, e com uma faca em punho, disse para minha mãe: "É um assalto! Passa o dinheiro. Ou a vida, ou a “buceta." isso ao tentar assaltara-la, lembro de tudo, pois fiquei olhando para a cara deles com uma pedra na mão para jogar na cabeça dos mesmo, porque mesmo criança, já tinha o extinto de legítima defesa e de proteger meus pais acima de tudo. Ficamos com medo deles e minha mãe disse que não tinha dinheiro , só uns trocados e fumo (cachimbo). Ela ficou conversando com ele que logo lembrou da gente por que conhecia minha irmã Maria José da Silva, então pediu "vó me dê um trocado para nós tomar uma (cachaça)" Carrin usava uma camisa do Flamengo, de cor preta e vermelha, depois de nos conhecer, ficou conversando conosco, se despediu se dirigiu com o amigo com destino a rua ao lado esquerdo da antiga Feira de Troca, com olhar para José Pinheiro, no canal das piabas que segue  para a direção ao antigo 'Campo Municipal,” onde hoje funciona a Vila Olímpica: Complexo Plínio Lemos. Quando de repente uma brasília amarela entrou na mesma rua atrás deles, ao ver o carro que ia seguindo os mesmo, corri para ver o que iria acontecer e vi quando o carro parou, saiu do veículo homens armados com rostos cobertos, entre eles estava um com um chapéu-de-palha, todos armados, e encostaram os dois homens na parede, mandaram o amigo dele ir embora, então perguntaram se o rapaz que ficou era mesmo o "Carrim" ele respondeu que sim e foi executado na parede de uma casa, onde hoje estão construindo no terreno um galpão, que fica na esquina da rua que sobe para a Igreja Evangélica Avivamento Bíblico.

Sei que era os componentes do Mão Branca por que eu já conhecia de quem era a Brasília, pois foi à mesma que certa feita conduziu um homem conhecido como  "Barrão", que morava na antiga Favela da Cachoeira. Como discorri acima, eu estava jogando bola de gude em determinado fim de tarde, foi neste dia que ele teve a visitas dos homens que andavam nessa dita brasília amarela, que parou na ponte da favela, os homens desceram, um com um chapéu-de-palha,  e foram buscar Barrão em casa, onde ele dormia pois estava doente. Todos os moradores que moravam entre a pote e favela, viram eles levando Barrão a força que depois foi encontrado morto.

Mataram o velho Barrão, só que lembro dele, era um alcoólatra que cometeu pequenos crimes quando jovem segundo falava minha mãe, mas já estava recuperado e era amigo de todos, um homem trabalhador, não vivia mais sobre pequeno crime e sim sobre efeito da esmolação e trabalho, tomando suas cachaças na Mercearia de dona Maria Gorda na entrada da favela e as vezes na Feira Central para desfaçar sua enfermidade. Barrão era querido por todos os que o conhecia, pagava para minha pessoa e colegas; cocada, balas, bolo pé-de-moleque, solda e "dindin" na mercearia acima citada, e mesmo assim, foi morto pelo Mão Branca, digo isso por que eu vi com meus olhos ele sendo levado por esses homens estranhos em um fim de tarde, no mesmo carro que era conduzido pelos os homens que mataram o finado Carrim perto do canal da feira.

Confesso que e vi os homens da brasília amarela matando o finado Carrim, muito conhecido no cabaré da feira Central e vi eles levando Barrão para ser executado. Quando tudo aconteceu, era criança, não lembro a data, só lembro que no outro dia passou a reportagem na ‘Patrulha da Cidade’ na Radio Borborema e escutei na casa do violeiro, o finado Cerrador. Eu era pequeno, vi e lembro de tudo.

Depois da morte de Carrim, fiquei com medo de passar no local e quando me tornei adolescente fui verificar a parede da casa e ainda tinha as marcas de balas, se brincar ainda tem vestígios pois a casa não teve reboco, só fizeram pintar, então deve ter marcas de tiros que não atingiram o corpo de Carrim e sim a parede, porque foram bastante tiros em plena via pública gerando pavor e medo nos moradores e em quem por ali passavam.

Sei que o finado Carrim era sim um ladrão pois na pratica tentou assaltar minha mãe, era um marginal perigoso, no dia da sua morte ele mesmo disse para nós que tinha saído da prisão, pediu dinheiro a ela que lhe deu uns trocados para tomar cachaça, saiu, sendo abatido a mais de 200 metros de onde estávamos. Mas deveria ser punido pelo Estado e não por bandidos da policia que querem ser 'deus' ou acima das leis e do Estado. Os homens da brasília amarela mataram Carrim e Barrão, mas o finado Barrão não era bandido, era um coitado que foi vitima dos bandidos do estado, que arrancaram ele da favela e voltou em um caixão. 

Pelo fato de ser bandido não quer dizer que grupo de criminosos armados tenham o direito de matar, quem pode fazer isso é o Estado e não grupo de criminosos que matavam todos que entravam em sua lista ou quem bem desejava.

Outra vez que o Mão Branca estiveram na Favela da Cachoeira, foi a procura do meu saudoso irmão, Antônio Martins (Tôi Créca), nessa época ele teve que fugir pra Goiás, para não ser morto por eles, pois seu nome saiu na lista negra dos Mão Branca, só porque certa feita foi preso por dar uma facada em uma cadeia vira-lata que lhe mordeu a canela. Não foi um ato digno de sua parte, mas os justiceiros matava todos que tinha passagens na delegacia, porque eles eram policiais civis. 

Após meu irmão ser solto no outro dia, o Mão Branca, depois de matar os finados Barrão e Carrim, foram novamente na extinta Favela da Cachoeira a procura dele. Essas foram as duas vezes que os vi naquela comunidade, sempre em uma Brasília, e percebi que um deles usava um chapéu de palha grande. 

Esse grupo de extermínio era apoiado pela sociedade, mas só matava criminosos pé-de-chinelo, como o finado Barrão que estava com câncer terminal e foi executado por eles. Também executavam ex-presidiários e quem era preso por pequenos roubos e furto. Os bandidos perigosos, eles parecem que tinha medo.

O clamor por segurança e justiça

Quero dizer que sou a favor da Pena de Morte para crimes hediondos, mas não defendo essa onda de 'Esquadrão da Morte', são elementos que matam bandidos, sendo bandidos também que tiram até a vida de inocente. Esses grupos se acham acima do Estado e das leis ao ponto de matar quem são contra eles e que bem desejar. Logo vejo que o Brasil era para ter Pena de Morte, onde bandidos de milícias de grupo de extermínio, grandes traficantes, psicopatas, políticos corruptos teriam que passar por esse presente do Estado, para deixar de sustentar criminosos irrecuperáveis nas cadeias, que matam, faz o que bem querem e depois vão gozar da nossa cara com direito a celular, sexo a vontade,  armas no centro de uso de droga que é hotel e motel do governo, que são os presídios do Brasil.

Em tempos de aumento do índice de violência no Estado da Paraíba e, em específico, em Campina Grande, o grupo de extermínio “Mão Branca” começa a ser lembrado pelas ruas da Cidade como solução equívoca para o problema, onde muitos dos que viveram ha época dizem: "Que tempos bons o do Mão Branca"" Isso por que até os anos 80 bandido tinha medo do Estado e da Policia, mas hoje se ver moleques de 12 anos com arma de fogo assaltando e matando trabalhador e fica tudo por isso mesmo, porque a policia prende e no outro dia estão nas ruas cometendo crimes novamente. 

Muitos cidadão de Campina como os que conhecem a historia dos Mão Branca, alegam que: Já que hoje a coisa está muito mais grave do que naquela época, quando o governo e o Congresso Nacional banalizaram a criminalidade e desmoralizaram o estado de direito com leis protecionistas amordaçando a Justiça, o Mão Branca deveria voltar a existir hoje, em âmbito nacional para garantir a integridade física, patrimonial e moral de todo povo brasileiro, mas discordo desse pensamento, o melhor é modificar as leis, em especial o Estatuto da Criança e Adolescente, como criar a Pena de Morte para determinados crimes horrendos, porque esquadrão da morte só tinha um alvo, matar apenas bandido pobre, os bandidos ricos escapavam da lista negra da morte. 

A existência de Mão Branca só não recebeu o apoio daqueles "inocentes" que nunca tiveram o infortúnio de se deparar frente-a-frente com bandidos sanguinários, frios e cruéis, ou então nunca perderam um ente querido sob o jugo desses marginais. Eu fui contemporâneo da época Mão Branca e posso afirmar categoricamente que aquele foi o período mais tranquilo que o povo campinense vivenciou, mas também, de tristeza de mães, pais, ou melhor, família que perderam seus entes queridos sem ser bandidos, vitimados pelo esquadrão da morte que tomou o lugar do Estado, isso em um Regime Militar, imagina hoje em uma democracia que defende os "Direitos dos Manos" e vira as costa para o povo honestos e trabalhador. 

Deve ser por isso que muitas pessoas ainda sentem saudades do tempo de Mão Branca, por que o Estado é omisso e contribuem para o surgimento de milícia e esquadrão da morte, como o famoso Mão Branca da Paraíba. 

Assista no vídeo abaixo um Documentário sobre esse Tema:
 

Por Martins da Cachoeira

O Gari Poeta Filosófico 

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