A poesia no vale da fantasia
Vou dormir no motel
Escrevendo no papel
Uma carta de amor
Durante a minha vida inteira?
Eu quero um dia acordar
Deitado na beira do mar
E ver meu ex-amor
Tomando banho de areia
Para tirar do seu cérebro
Toda a sua sujeira?
Eu quero dormir na lua,
Viver no meio da rua
Fazendo caretas em frente
A um espelho de peneira.
Mas construí uma barreira
Pra não mais lembrar
De quem de mim se esqueceu
E sumiu fazendo carreira.
Fiz uma suja poesia
No vale da fantasia
Onde mora a falsa paixão
Que pra mim só fez besteira.
Hoje não quero dormir
Esperando o meu porvir
Vindo caindo sobre mim
Como uma pedra embolando
Descendo em disparada
Se desfazendo na ladeira.
Consertei o meu espelho
E não vejo os meus cabelos
Espalhados na cabeceira
Sentindo grande coceira.
Porque já esqueci de quem
Fez de mim uma assadeira
Parecendo com uma peneira
Para assar as sem valor;
Casca de castanheira
No vale da poesia
Onde só reinava besteira.
Por Martins da Cachoeira
O Gari Poeta Filosófico

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