Da Janela da Minha Casa
Da janela da minha casa
Contemplei uma cena horrenda,
Era uma mãe batendo no filho,
O chamando de gota-serena.
Gritava com seus filhos queridos,
Com palavras de baixo calão.
E eu ouvindo aquelas palavras
Fiquei com o coração na mão.
A rival dessa mulher
Morava ao lado da casa dela
O polígamo abraçava a outra
Depois beijava e abraçava ela.
Eu sempre via esta cena
Olhando da minha janela.
As crianças ficavam divididas,
Confusas com a união delas.
Era um jovem polígamo rapaz
Que para ele a poligamia era tudo.
Não podia cuidar de uma mulher
Mas queria ter duas no mundo.
Quem sofria era as crianças
Que não tinham esperança
De ter um pai ou uma mãe,
Para planejar um bom futuro.
No sábado de tardezinha
O polígamo descia na favela
Com duas sacolas de compras nas costa,
Uma pequena para a esposa,
A outra para a rival dela.
Ele dava mais privilégios,
A amante que cheirava a canela,
E as crianças que se danassem
A procura de pão na seca tigela.
Com as crianças ela pedia esmolas,
Na zona leste de Campina,
Em bairro de classe média.
Depois desciam com as esmolas em sacolas,
Para matar a fome dela.
Ela subia e descia as ladeiras na favela.
E eu ficava contemplando tudo
Olhando da minha janela.
Um fogãozinho de lenha
Ficava no quintal da casa dela
Na casa da rival era um fogão a gás,
TV a cores, sofá do bom,
Estante de cor preta e amarela.
Ela por não aceitava dividir
O polígamo marido dela,
Por isso desprezou sua casa,
Por não suportar tanta humilhação,
Abandonou os seus filhos
Para serem cuidados pela rival.
Por causa da sua pior inimiga,
Feriu das crianças o coração.
Na janela da minha casa
Eu via cena de filme e novela
Os personagens eram reais,
Que sofriam dentro da favela.
Era na Favela da Cachoeira,
Em Campina Grande menina,
Cidade do interior do estado da Paraíba.
Favela que era berço da pobreza
E o coito da miséria,
Lá eu via até a polícia descendo
Com medo de entra nela.
Minha casa ficava no alto
Em plena visão de aquarela,
Do lado esquerdo tinha o riacho,
No direito, barreiras que poderiam cair
Profundamente por cima dela.
Eu via uma minoria de pessoas
Que sumiam da minha favela
Pois seu mundo matava elas.
Enquanto a maioria era honestas
Porém, super discriminados
Por quem não moravam na favela.
Da janela da minha casa
Contemplei uma cena maravilhosa;
Era o fim da Favela da Cachoeira!
Com palavras não se explicava
Do alto da minha janela
A alegria tremenda de sair da favela.
Hoje no nosso novo mundo
Só vejo coisas bonitas e belas,
O começo para uma nova vida
Bem fora da minha favela,
Onde construí a minha historia.
E agora da minha janela,
Só vejo as mudanças de vida
No nosso Bairro da Glória!
Por Martins da Cachoeira
O Gari Poeta Filosófico

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