Um lobo dentro de mim
Um lobo dentro de mim
Todos os dias tento matar
Um lobo maldoso e feroz
Que nasceu dentro de mim
É uma guerra tirana
Que parece não ter fim.
Quando tento assassiná-lo
Chego a me confundir,
Porque me pareço com ele
E ele parece comigo.
Se olho no espelho o vejo
Dizendo coisas ruins
Para o meu proceder
Aceitar, viver até e fazer
O que ele determina pra mim.
Corro, escondo-me no curral
Onde reina o bem e o mal
E vejo que o céu e o inferno
Caminha lado a lado comigo
Em todo o meu prosseguir.
E todas as boas virtudes
Ficam como óleo jogado no mar
Matando peixes, tartarugas
E prejudicando os banhistas.
E eu tento ser artista
De filme de faroeste
E aceitar essa peste
Dominar por completo o meu ser.
Serei dominado por mim,
Para não comer as ovelhas
Que tem minha natureza,
Em ser mau e bom ao mesmo tempo.
De acordo com cada segundo,
Ou em determinado momento,
Dependendo dos fatores,
Daqueles malucos valores
Que me faz escolher ser bom e ruim.
Como se tivesse um anjo
Ou um feioso demônio
Enchendo o meu saco
Em uma guerra danada
No todo o combate central
No meu Armageddon psíquico-mental
Tudo isso dentro de mim.
E esse lobo e ovelha transcendental
Passasse o dia todo me atormentando
Ditando as regras para eu seguir
Com certeza chegaria o meu fim.
Pois na cadeia alimentar
Da social socialização
O filosofo Thomas Hobbes,
Disse com toda razão:
“O Homem é o Lobo do Homem.”
E eu perguntei ao chefe da criação:
Quem é o lobo, ou a ovelha
Na lógica da evolução?
Porque no contexto social
Não existe contradição.
Pois quem não saber usar
Na mente um barbeador
Para disfarçar a aparência
De ser seu próprio predador
Não será visto como o bonzinho.
Mas um garoto animalzinho
Que faz da imensa maldade
Uma cultura de valor.
Com a falsidade ele cria
Um produto químico mental
Para usar em um spray limpador
Que lhe dita o que é certo ou errado,
Porque precisa de um orientador.
Que amarre o seu lobo interno
Na entrada do elevador
Do seu palácio mental,
Onde o bem e o mal
Para o lobo não tem valor.
Pois em nome da guerra
Na competição natural
Da elevação do financeiro capital;
Ele mata para se manter,
Derrama sangue para comer,
E os seus filhotes poder
Criar e os alimentar.
Em nome do seu bem total
O homem louva o mal.
Faz o mal para ter o seu bem
Pois o mal será sempre o bem
Que não deixará nada faltar
Na sua alcateia e seu lar.
Por isso precisa matar,
Ou até mesmo prejudicar
O outro lobo predador.
Pois entre o fim e o meio,
Se fores bom de mais,
Com certeza vai se foder,
Porque outro lobo vai querer
Com os dentes te esganar.
E nessa fazenda de gado
O lobo fica mascarado
Com a face de Zeus poderoso,
Com a aparência de um Minotauro.
Não com metade homem
E meia metade de um touro,
Mas da cintura pra cima
Com traços humanos,
E da cintura pra baixo
Metade de uma ovelha,
Que vive em pleno engano,
Com o coração de lobo.
Na arte da pacificação
O homem vive sempre almejando
Ser um destruidor profano.
E quem é ovelha-humana
Morre e não se defende
Dos ataques dos tiranos,
Dos lobos com cara de humanos,
Que tem apenas um plano:
Fazer valer o tirano
Que está dentro de mim
E com certeza em você.
Mas eu sei com clareza
Que às vezes temos que ser;
Um pouquinho de ovelha,
Sem deixar sumir e fluir
O lobo dentro de mim,
Que também está dentro de ti.
Porque nem a canonização
Vai matar o lobo do teu ser,
E fazer valer, aquela ovelha otária
Que só vegetal quer engolir.
Porque quem é um animal tão sereno
Que morre mesmo querendo,
Sobreviver sem reagir,
Sempre será a vítima
Do lobo que está dentro de mim.
Por isso devemos desfaçar
O nosso modo de agir,
Por fora sejamos uma ovelha,
Mas por dentro, às vezes,
É notório e preciso;
Em sua legítima defesa
Nós devemos ser lobos ruins.
E pra os mascarados hipócritas:
Você tem que ser lobo dengoso,
Um animal de estimação bem ruim.
Se não esses tubarões ferozes
Vão todos te engolir.
O homem que é lobo do homem,
Usa deus e o diabo;
Para os seus atos ingratos
Nunca querer assumir.
Por José Martins de Paiva
O Gari Poeta Filosófico

Comentários
Postar um comentário